Browser Wars… A guerra dos browsers (e agora dos sistemas também) nunca acaba… (Império X República?)
Olá pessoas!
Estive lendo há pouco tempo o blog Viva o Tux de Sergio Luiz Araújo Silva, e me deparei com um post que ele publicou com um link para uma página da Free Software Foundation cujo título é “Microsoft’s global anti-user day“. O referido artigo feito por um usuário da comunidade da Free Software Foundation, publicado no dia 22 de novembro de 2008 (um dia após a Microsoft anunciar o Global Anti-Piracy Day - ou dia global anti-pirataria) , contém crítica contra a Microsoft… A tradução do título do artigo publicado pela Free Software Foundation seria “O dia global anti-usuário da Microsoft“. IMPORTANTE: Antes que as pessoas interpretem a tradução do título do artigo de forma errada, gostaria de deixar clara a minha interpretação do mesmo. A Free Software Foundation NÃO está promovendo um dia contra os usuários da Microsoft… O que o autor do artigo quis dizer com a crítica foi justamente que a Microsoft promove o dia global anti-usuários, e não o dia global anti-pirataria.
Achei o artigo da FSF muito interessante, principalmente por tratar de algumas “políticas” da Microsoft em relação a seus usuários, e também por tratar da pirataria, assunto que a meu ver já está extremamente banalizado no Brasil, e por isso penso que é muito importante que paremos um pouco para refletir sobre o assunto.
Sempre encontramos na web publicações que questionam se a Microsoft vem realmente, há anos, aumentando sua presença no mercado e ampliando a base de usuários de seus produtos às custas de táticas obscuras sujas antiéticas duvidosas. Cheguei até mesmo a ver recentemente no canal Discovery Channel um documentário intitulado “A guerra dos Browsers”, que documentou de forma extremamente transparente todas as sacanagens medidas que a Microsoft utilizou na época da concorrência do Internet Explorer com o Netscape, sacanagens recursos que levaram o Netscape ao seu fim, sua extinção no mercado mesmo depois de ter conquistado a absoluta maioria dos usuários (o que me fez dar boas risadas no último Firefox Download Day quando a equipe de desenvolvimento do Firefox recebeu um bolo da equipe de desenvolvimento do Internet Explorer como uma bonita e desportiva homenagem, com ou sem laxante ;-) (vide foto)… Pra quem tiver interesse em ver o documentário Guerra dos Browsers completo, o mesmo está disponível no Youtube em inglês sob o nome de Browser Wars, e está dividido em cinco partes. Infelizmente a versão dublada em português só tem duas partes disponíveis, portanto está incompleta, e só conta com o começo do documentário.
Na época foi movida uma ação na justiça contra a Microsoft, porém nenhuma punição *realmente severa* foi aplicada contra a empresa.
Recentemente, foi publicado no The Wall Street Journal, uma matéria tratando da acusação feita contra a Microsoft de pagar uma suposta propina de US$ 400.000,00 ao governo da Nigéria (de acordo com o site Computer World), disfarçada sob um contrato de prestação de serviços com uma empresa local, com o objetivo de forçar a substituição do Mandriva Linux pelo Windows em computadores de entidades governamentais, tais como escolas. No dia 13 de novembro de 2008, o gerente regional da Microsoft na Nigéria, Thomas Hansen, negou todas as acusações dizendo que nenhum dinheiro foi gasto dessa forma.
Maiores detalhes sobre esta notícia podem ser lidos nos links abaixo:
Microsoft é acusada de pagar propina na África para frear adoção de sistema Linux (de novo)
CEO da Mandriva divulga carta aberta a Steve Ballmer e ao governo nigeriano
Microsoft responde a carta aberta do CEO da Mandriva: “Operamos de acordo com a lei”
Manifestações jurídicas e midiáticas à parte, tenho também minhas próprias opiniões a respeito da empresa. Uma das coisas com as quais não me conformo é a incompatibilidade que foi mantida ( propositalmente? ) entre o Internet Explorer e todos os outros browsers disponíveis no mercado, o que há anos obriga desenvolvedores de websites a se preocuparem em desenvolver páginas especificamente planejadas para serem exibidas corretamente em Internet Explorer (já que é o browser mais presente no mercado) de forma incompatível com as determinações do W3C . Depois de ANOS prejudicando o mercado com isso, a Microsoft prepara-se para lançar o Internet Explorer 8, anunciando a compatibilidade com os padrões W3C como se fosse um atrativo digno de agradecimentos para a nova versão do produto, e não uma responsabilidade da empresa em respeito a usuários do produto e desenvolvedores web, responsabilidade que deveria ter sido observada desde as primeiras versões do produto em prol da compatibilidade e da semântica. E o pior de tudo é que muitos acéfalos usuários ao lerem esse tipo de notícia, aplaudem a Microsoft pela decisão tardia.
Bem, deixando de lado a história da *antiga* guerra dos browsers, decidi agora publicar este artigo justamente depois de ler no website da INFO Online uma matéria escrita por Carlos Machado, cujo título é “Firefox é o programa menos seguro, diz Bit9“. Achei o artigo um bocado “curioso” e recomendo que cliquem no link do artigo e leiam também para que possam refletir sobre as afirmações contidas no mesmo.
Esse artigo da INFO Online publicado por Carlos Machado diz que de acordo com a Bit9, o Firefox é aplicativo número um da lista de aplicativos menos seguros, que a empresa publica anualmente. De acordo com o artigo da INFO Online, a Bit9 é uma empresa de segurança americana que analisa aplicativos quanto aos riscos que oferecem no uso corporativo… essa lista anual chamada de Dirty Dozen (os 12 mais sujos) coloca como os doze aplicativos menos seguros, em sua respectiva ordem, os seguintes aplicativos:
1. Firefox, da Fundação Mozilla
2. Flash e Acrobat, da Adobe
3. VMware Player e VMware Workstation, da VMware
4. Java Runtime Environment, da Sun
5. QuickTime, Safari e iTunes, da Apple
6. Produtos Norton, da Symantec
7. OfficeScan, da Trend Micro
8. Produtos Citrix, da Citrix
9. Aurigma e Lycos, gerenciadores de imagens
10. Skype, da Skype
11. Yahoo! Assistant, da Yahoo!
12. Windows Live Messenger, da Microsoft
Agora vamos às partes que são, a meu ver, no mínimo pitorescas sobre essas afirmações… Repare bem nos produtos que foram colocados na lista:
Firefox, da Fundação Mozilla - PRINCIPAL CONCORRENTE do Internet Explorer (produto da Microsoft);
Flash e Acrobat, da Adobe - PRINCIPAL CONCORRENTE do SilverLight (produto da Microsoft);
Java Runtime Environment, da Sun - PRINCIPAL CONCORRENTE do .net (produto da Microsoft);
QuickTime, Safari e iTunes, da Apple - CONCORRENTES DIRETOS do Windows Media Player e do Internet Explorer (produtos da Microsoft);
Produtos Norton, da Symantec - CONCORRENTES DIRETOS do ForeFront (suite de aplicativos para segurança corporativa - produto da Microsoft);
OfficeScan, da Trend Micro - TAMBÉM CONCORRENTE DIRETO do ForeFront (produto da Microsoft);
Produtos Citrix, da Citrix - CONCORRE DIRETAMENTE com soluções corportativas da Microsoft;
Skype, da Skype - PRINCIPAL CONCORRENTE VoIP do Windows Live Messenger (produto da Microsoft);
VMware Player e VMware Workstation, da VMware - Programas que possibilitem que usuários testem outros sistemas operacionais com absoluta segurança em um ambiente controlado e isolado… Trocando em miúdos, é um programa que permite que as pessoas conheçam o Linux e outros sistemas operacionais com segurança sem alterar seu sistema nativo, e também permite que usuários Linux rodem programas feitos para Windows ou até mesmo o próprio Windows de dentro do Linux. O VMware também é concorrente do VirtualPC (produto da Microsoft);
Yahoo! Assistant, da Yahoo! - Dispensa qualquer comentário;
Windows Live Messenger, da Microsoft - HAHAHAHAHA!!! O que é isso aqui em último lugar na lista? Bem, pelo menos agora podem dizer que a lista expôs algum produto da Microsoft como potencialmente perigoso, mas claro… MUITO menos perigoso que os demais ítens que encabeçam a lista
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Agora vem o que considero mais pitoresco nisso tudo… Para investigar Por curiosidade, entrei no site da empresa Bit9 já que nunca tinha ouvido falar na mesma… E o que eu descobri entrando nesse site e acessando a seção “Technology Alliance Partner Program” (programa de parcerias e alianças tecnológicas)? Descobri que a Bit9, que foi a empresa responsável pelo “estudo” mencionado no artigo da INFO Online, de acordo com seu próprio website, é uma Microsoft Certified Partner (Parceira Certificada Microsoft) e também é Windows Embedded Partner, conforme vocês podem ver neste link.
É uma empresa privada, parceira da Microsoft, que atua no mercado certificando como confiáveis e autorizados, programas para serem usados em máquinas com Windows em ambiente corporativo.
Uma questão que eu achei incabível nessa avaliação, é comparar em questões de segurança o Firefox, que é um software ABERTO e tem seu código-fonte e seus bugs publicados pelos próprios desenvolvedores e disponíveis para que qualquer um possa explorar, com softwares FECHADOS, que tem seu código fechado e restrito apenas aos desenvolvedores, bem como seus bugs muitas vezes “abafados” pelos desenvolvedores para que os mesmos possam desenvolver soluções para os problemas antes que ocorra alguma exploração maliciosa, ou publicação sobre os mesmos. Mas mesmo assim, particularmente não acredito nos resultados desses testes, até porque NÃO FORAM PUBLICADOS os critérios e métodos utilizados na realização desses estudos.
Evidentemente, a lista publicada pela empresa é uma lista utilizada em ambiente corporativo, para determinar quais os aplicativos que não devem ser instalados em máquinas de produção, para não comprometer a segurança dos sistemas, e não uma lista que tem como objetivo difamar publicamente outros aplicativos… Mas infelizmente, e maneira como esta matéria foi publicada na INFO Online, passa aos leitores a impressão de que é uma lista que simplesmente tem como objetivo divulgar publicamente quais são os softwares inseguros para qualquer usuário. Acho muito complicado o referido autor publicar numa ferramenta midiática que possui tantos leitores, um artigo com o título “Firefox é o programa menos seguro”, até porque muitos (assim como eu) lêem essas notícias via agregadores de notícias, e podem acabar simplesmente consumindo apenas este título, o que pode denegrir publicamente a imagem do produto Firefox para todo o mercado, até mesmo para usuários domésticos, e não só para o uso especificamente corporativo como propõe a lista… Também acho muito cômodo e oportuno utilizar a transferência de responsabilidade que pode ser obtida pelo complemento “, diz Bit9″. O autor elimina sua responsabilidade pelas afirmações contidas no artigo, já que quem disse isso foi a Bit9 e não ele, e ao mesmo tempo, transmite a milhares de leitores uma informação que pode prejudicar a imagem do software Firefox junto ao público por passar a impressão que o mesmo não é um software seguro (o que a meu ver não procede). Entendo que notícias publicadas com o bom e velho “estilo sensacionalista” de se escrever garantem muitas visitas, muita visibilidade, e quem recebe o cash que entra com venda de publicidade agradece… mas penso também que um pouco mais de responsabilidade nas publicações em ferramentas midiáticas com grande poder de formação de opinião cairia muito bem, obrigado. Fico me perguntando quantos leitores, depois de ler o título dessa notícia sem se aprofundar mais no assunto, não saíram por ai dizendo pra todo lado que o Firefox não é um software seguro.
Também dei boas risadas ao ver ao lado do artigo que li na INFO Online, um banner publicitário ENORME que fazia propaganda da Bras Figueredo - brasell - Microsoft Gold Partner… Que “coincidência” engraçada, não?
Bem, quanto ao Firefox, posso afirmar que eu o utilizo em meu sistema operacional há anos, e nunca tive NENHUM problema relacionado a segurança com o mesmo… em contrapartida, quantos usuários ou profissionais já viram um computador ser prejudicado através de um buffer overflow usando Internet Explorer, mesmo com soluções de segurança de terceiros (anti-virus, anti-whateverware, etc..) instaladas na máquina???
Uma outro detalhe atual que me parece no mínimo curioso a respeito da Microsoft, é o número crescente de computadores que vemos sendo vendidos no mercado com componentes de hardware vista-only (que só funcionam com o windows vista)… Meu amigo KurtKraut por exemplo, tem uma máquina com uma placa de som que só funciona com Windows Vista. E ao pensar nesse assunto me pergunto: Por que diabos um fabricante de computadores limitaria seu publico alvo disponibilizando máquinas no mercado que só poderiam ser utilizadas com UM sistema operacional específico sem ganhar nada em troca disso? Por que se limitariam a vender suas máquinas apenas para usuários do windows vista, abrindo mão de possíveis vendas de seus computadores para usuários de outro sistema operacional? Ao menos pra mim, não faz sentido, a não ser que esses fabricantes ganhem alguma coisa em troca disso. Não sei se ganham, portanto não posso afirmar nada nesse sentido. Mas que é MUITO curioso, bem como muitas outras questões tratadas pelas notícias públicas que foram mencionadas nesse artigo, É.
Está ficando realmente cada vez mais difícil competir com produtos da Microsoft no mercado, e infelizmente não encontro em nenhum lugar notícias afirmando que essa dificuldade de competir com eles se dá em conseqüência da qualidade de seus produtos. O que encontro sempre são afirmações referentes às vantagens dos produtos da Microsoft em conseqüência de sua grande base de usuários, e do costume forçado já adquirido pelas pessoas em utilizar seus produtos, mas é interessante pensar a respeito do assunto e avaliar quais são os recursos utilizados pela Microsoft para garantir uma base tão grande de usuários para seus produtos. Preço? Qualidade? Segurança? Respeito ao usuário? Suporte? Bem… na modesta opinião deste blogueiro que vos fala, nenhum do recursos citados se aplica.
Grande abraço a todos!